Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.
Zayn on
Era sexta feira e como eu não tinha nada pra fazer em casa vim para a casa do Liam. Ele estava arruando a casa e eu ri da cena. Era engraçado ver ele vestido em um avental e varrendo o chão. Peguei meu celular e tirei uma foto.
- Ei, o que vai fazer com essa foto?!
- Nada.
- Apaga isso, idiota!
- Não. - falei rindo e ele me mostrou o dedo do meio. - Liam, você está ficando muito rebelde. O que aconteceu com o meu amigo que ia para a igreja aos domingos de manhã?
- Ele está de ressaca aos domingo de manhã. - eu estava super entediado.
- Vamos fazer alguma coisa?
- Tipo o que?
- Sei lá, jogar vídeo game.
- Não tá vendo que eu estou arrumando a casa?
- Tô entediado. Bela diversão ficar te olhando arrumar a casa em uma sexta de noite. Fui convidado pra festa mais esperada do ano.
- E por que não foi?
- Porque foi a Perrie quem me chamou.
- Você se meteu em um beco sem saída quando a conheceu.
- Eu que o diga. - falei olhando para o chão - E então, vamos jogar?
- Você não vai me deixar em paz, não é?
- Não!
- Ok, mas com uma condição. Se você perder vai ter que levar o lixo pra fora.
- Perda de tempo, sabe que eu nunca perco no vídeo game.
- É o que veremos, Malik. - fomos para a sala, ele tirou o avental e me passou um dos controles.
[...]
- Ganhei! - Liam jogou o controle em mim.
- Você roubou!
- Não roubei não! Me desculpe se com o tempo eu estou ficando melhor.
- Cara, não consigo acreditar! - Era a primeira vez que eu tinha perdido pra alguém. - Você não vai contar pra ninguém! - ele me entregou o saco de lixo.
- Sobre você perder ou sobre o lixo?
- Os dois.
Saí de casa e coloquei o lixo na lixeira. Estava prestes a entrar quando vi uma menina no meio da pista com os braços abertos, os olhos fechados e uma luz forte iluminava seu rosto. Não demorei muito pra perceber que era um ônibus. O que ela estava fazendo? Eu não podia deixar que aquilo acontecesse.
Corri até a mesma e a agarrei nos jogando do outro lado do asfalto. Eu estava por cima dela. Seus olhos permaneceram fechados. Sua maquiagem estava borrada, os cabelos bagunçados e ela me olhou de um jeito estranho quando abriu os olhos.
- O que você fez?!
- Você ia se matar?
- Isso não é da sua conta! Você não podia ter feito isso!
- Me desculpe, mas eu não podia ficar aqui parado vendo você me matar!
- Você nem me conhece! - eu estava pronto pra dizer algo, mas ouvi a voz do Liam.
- Zayn? Minha nossa senhora aparecida! O que você está fazendo aí deitado em cima dessa menina?! - me levantei e ela fez o mesmo.
- Liam, não é o que parece! - o olhei.
- Você podia pelo menos arrumar um motel.
- Liam...
- Pra mim chega! - a menina saiu correndo dali. Entramos na casa do Liam e eu o expliquei tudo. Eu não entendia aquilo. Fiquei assustado.
Amy on
E lá estava eu olhando pela janela do meu quarto e ouvindo música. O céu ficava lindo quando o sol estava se pondo e as estrelas começavam a surgir trazendo consigo aquela imensa escuridão, mas também a linda e brilhante lua cheia. Papai estava demorando a voltar do trabalho. Hoje era um dia daqueles que eu precisava de um abraço e conselhos.
Minha mãe gritou comigo de novo por nada. Eu não me importava mais, mas comecei a achar que tudo o que ela dizia sobre mim era verdade. Eu era uma rebelde sem causa. Nenhum menino nunca olharia pra mim e eu nunca teria amigos. Eu nunca me importei com isso, mas comecei a perceber que estou ficando velha e sem rumo na vida. Eu não imagino o meu futuro, nem sei se vou estar viva.
Vi minha mãe entrar no quarto com os olhos marejados. Eu não sei como ela conseguia fingir tão bem. Aquilo me enojava. Eu sabia que ela não se importava comigo, mas todas as vezes que brigamos ela vem até o meu quarto e fala coisas que me deixam ainda pior.
- O que você quer?
- Nós precisamos conversar...
- Eu não tenho nada pra falar com você.
- É importante.
- Olha, se você veio aqui dizer que eu não presto e não sou a filha dos seus sonhos, pode sair, porque você me diz isso todos os dias e eu já estou cansada!
- Amy, será que tem como você me escutar?! - respirei fundo e calei a boca - Eu não sei como contar isso... - falou enquanto passava as mãos em seus cabelos loiros.
- Será que dá pra falar de uma vez?
- Seu pai morreu!
- Para com isso! Você quer tanto que ele morra que uma hora pode acontecer!
- Amy, eu tô falando sério! - vi quando as lágrimas escaparam dos seus olhos. Ela não parecia estar fingindo. Comecei a me assustar.
- PARA COM ISSO!
- EU NÃO ESTOU BRINCANDO!
Eu não podia acreditar. Senti as lágrimas escorrerem involuntariamente pelo meu rosto e meu coração se apertou. Não podia ser verdade! Não era verdade!
- É MENTIRA, ISSO NÃO ACONTECEU!
- EU NÃO ESTOU MENTINDO. VOCÊ SABE QUE O SEU PAI ESTAVA SENDO AMEAÇADO! - o pior daquilo era ver minha mãe fingir se importar. Eu não sabia o que pensar. Meu pai era tudo pra mim, como eu conseguiria viver sem ele? Minha vida não era das melhores, eu não podia perdê-lo agora. Nem pude me despedir, dizer o quanto o amo e agradecer por ele ter feito tanto por mim.
Eu odiava a mim mesma por não ter o protegido. Por que logo o meu pai? Ele era um pessoa tão boa. Meu mundo acabou. Peguei meu skate e desci as escadas chorando. Vi Matt chorando ao lado da escada e ele limpou as lágrimas quando me viu. Fiquei parada o olhando enquanto as lágrimas escorriam no meu rosto e ele me abraçou forte.
- O que será de nós agora, Matt? - ele me abraçava forte.
- Amy, olhe pra mim. - eu o olhei e suas mãos estavam em meu rosto - Papai está em um lugar melhor agora.
- Mas por que? Ele era um homem tão bom! Seu único defeito foi ter se envolvido com drogas! Não dá Matt, eu não vou aguentar!
- Você tem à mim! Amy, você tem à mim! - eu não conseguia parar de chorar. Só conseguia me lembrar do sorriso do meu pai. Desfiz aquele abraço e peguei meu skate. - Onde você vai? - não olhei pra traz e saí de casa.
Andei com meu skate durante horas, mas parece que a cada minuto aquela dor me consumia. Eu não tinha mais motivos pra viver. Minha vida sempre foi uma merda. Só aguentei firme por causa do papai, mas agora que ele não está aqui eu não preciso passar por isso. Parei em uma rua, larguei meu skate e vi que um caminhão se aproximava. Abri meus braços, fechei meus olhos e desejei que aquela dor acabasse logo.
Senti meu corpo ser empurrado e abri os olhos vendo um menino em cima de mim. Nada dava certo na minha vida, eu não conseguia sequer me matar. Eu era um lixo! Nós brigamos e eu saí dali no meu skate. Fui até aquele parque que o papai me levava pra andar de skate quando era mais nova. Me sentei naquele banco e senti meu coração doer mais e as lágrimas pesadas despencando dos meus olhos. Papai sempre se sentava naquele banco e ficava me olhando andar.
Olhei para o lado e vi meu irmão me olhando com o rosto encharcado pelas lágrimas. Corri até o mesmo e o abracei forte.
- Eu quero morrer!
- Não diga isso, por favor, você é a única pessoa que eu tenho agora!
- Por favor, faz parar de doer, Matt, por favor!
- Eu não posso! - Ele chorava e me abraçava. - Vamos embora. - me levou até o carro e entramos.
[...]
Eu estava muito cansada, minha maquiagem estava borrada e eu ainda chorava muito. Enchi a banheira com água quente e Matt ficou me olhando. Ele tinha medo de que eu me matasse e era isso mesmo que eu faria se ele não estivesse ali. Por que será que eu não podia simplesmente morrer? Seria tão mais fácil, eu não sentiria mais aquela dor queimando dentro de mim. Eu sei que tinha o Matt, mas nunca seria a mesma coisa sem meu pai.
Eu não estava conseguindo fazer nada, eu só chorava na banheira, então Matt me ajudou a lavar meus cabelos.
Depois que acabei o banho, troquei de roupa e Matt me levou para dormir em seu quarto. Me abraçou e acariciou meus cabelos e então eu peguei no sono. Mas a partir daquele dia Amy Stone havia morrido.
























